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Dica na internet

Posted by on 26/11/2012

            Consultando a imprensa brasileira, a escrita, a falada e a eletrônica, temos a impressão de que vivemos no melhor dos mundos possíveis: níveis recordes de emprego, boom imobiliário, capitalização recorde da Petrobrás, consolidação democrática, crescimento econômico impulsionado pela Copa, investimentos estrangeiros crescentes etc. Não há nenhum fator de risco, nada que possa atrapalhar nosso caminho. Ou melhor, se há, ele fica bem escondido pelas meias-verdades que nos são contadas. O boom imobiliário é à custa da alienação fiduciária, em que os grandes beneficiários são os bancos, a consolidação democrática veio à custa de um debate político mínimo, os investimentos estrangeiros são para comprar dívida, aproveitando nossa taxa de juros recorde, não são produtivos, geradores de emprego.

            Caso os leitores do Montblatt queiram ter uma visão mais ácida da realidade consultem o site www.globalresearch.ca., que se propõe a analisar os efeitos da globalização. Ele tem muitos artigos, incluindo de Fidel Castro, e o melhor é selecionar o que se vai ler. Eu às vezes vou pelo tema. Outro dia peguei um artigo sobre o Brasil, intitulado “Brazil’s Debt Crisis” que me permitiu entender o porquê de a privatização de serviços públicos como educação, saúde e de infra-estrutura é, ao contrário do que dizem os panglossianos, contraproducente do ponto de vista econômico.

            Mas meu principal critério de escolha é pelo autor. Há um colaborador, chamado Paul Craig Roberts, que foi secretário assistente do Tesouro americano no governo Reagan que me é particularmente caro. Cheguei até a lhe mandar um e-mail de agradecimento pelas suas sábias palavras, e ele respondeu-me brevemente, mas de maneira cortês. Paul Roberts fala principalmente dos Estados Unidos, da decadência econômica, moral e política do Tio Sam, que se desindustrializou, se endividou para financiar guerras injustas e inúteis e agora vê seu povo empobrecer sem que a classe política, comprometida com o consenso das elites globais financeiras, faça nada para salvar o povo. Ao contrário, ela contribui para enterrar o futuro dos americanos de vez, ao insistir em distribuir maná aos bancos, cortar benefícios sociais e aprofundar a dependência dos manufaturados da China e da disposição desta de financiar o déficit americano comprando títulos do Tesouro.

            Um outro site que sempre consulto é o www.takimag.com. Fundado por um colaborador da revista inglesa The Spectator, ele é a princípio impalatável para nós habitantes do Sul, porque seus colaboradores são politicamente incorretos: defendem controles à imigração por considerar que ela mina a unidade cultural e racial dos EUA, nos consideram inelutavelmente inferiores, mas desconsiderando a parte que nos toca, são acerbamente críticos do papel atual dos EUA como potência imperialista que se arvora o direito de impor seus valores mundo afora. Entre seus colaboradores está um ex candidato a presidente Pat Buchanan. Recentemente ele passou por uma transformação que o tornou mais fútil, com fofocas sobre celebridades, coluna social, mas mesmo assim merece uma olhada. É sempre interessante saber o que os arianos do Norte verdadeiramente pensam sobre nós, para além dos discursos regado a sorriso Colgate que falam sobre cooperação, metas do milênio, e toda a lenga lenga hipócrita que nos impingem para fingir que se importam conosco.

            O fato é que a internet, além de ser repositório dos orkuts, facebooks e outras inutilidades, também vem se transformando num canal alternativo para pessoas que não encontram espaço para suas idéias na mídia tradicional, controlada por grupos econômicos. (O editor do Montblatt que o diga) O pior na imprensa não é que seu conteúdo seja comprometido com determinados interesses, afinal todo e qualquer ser humano que escreve ou fala algo o faz à luz de seus valores que, por serem subjetivos, são passíveis de crítica. O que é insidioso é que as opiniões nos são passadas como se fossem verdades naturais e portanto, indiscutíveis. Deveria ser tarefa do jornalista, ao dialogar com seus usuários, admitir abertamente de que lado está, no que acredita, e assumir a responsabilidade por isso. Imprensa livre é aquela em que o debate de ideias fica mais fácil quando sabemos das premissas dos debatedores. Assim evitam-se desentendimentos e chega-se mais rápido a posições esclarecedoras. A internet talvez venha realizar a tarefa de desmistificar o trabalho do jornalista, mostrá-lo em suas verdadeiras cores.

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